Como reduzir os impactos psicológicos causados pela pandemia

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Luciana Camurra, mestre em psicologia pela Universidade do Paraná, dá dicas de como diminuir os impactos psicológicos do isolamento social na pandemia.

Com as rotinas completamente transformadas por uma pandemia que não temos nenhum controle; desaceleramos, replanejamos e nos adaptamos a uma realidade completamente diferente. Nos 120 dias que passamos isolados, repensamos nossas necessidades como sociedade e como indivíduos. E ao olhar para nós mesmos começamos a nos atentar a outro fator: os possíveis impactos psicológicos causados pela pandemia.

As incertezas deste momento que estamos vivendo, colocou um holofote em nossas inseguranças, medos e limitações; nos fazendo sentir ansiosos e desamparados emocionalmente. Prestar atenção nas nossas necessidades emocionais é importante em meio a tantas mudanças; para que uma onda de inseguranças não nos domine.

Luciana Camurra, mestre em psicologia pela Universidade do Paraná, explica que ter uma rotina nos torna seguros, uma vez que isso nos dá a sensação de controle sobre nosso dia-a-dia. No entanto, o confinamento gerou uma quebra abrupta nessa rotina, nos levando a um estado de imersão em nós mesmos; nos fazendo perceber os conflitos internos que eram sufocados pelo cotidiano.

Exercite o auto-conhecimento

O exercício do autoconhecimento é essencial para que os impactos psicológicos causados pela pandemia sejam amenizados; uma vez que ao fazer-lo compreendemos mais sobre nós mesmos. Luciana explica que não é possível favorecer o autoconhecimento, sem iluminarmos nossas “trevas internas”, sem olharmos para dentro de nós mesmos.

Como resultado disto, é preciso ter “coragem para não fugir de si, não se ocupar o tempo todo, permitir-se o ócio, o descanso. Buscar atividades reflexivas, momentos de meditação, yoga e buscar uma psicoterapia online”, conta.

Reduza o tempo de noticiários

Hoje vivemos aquilo que a Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica como infodemia; ou seja, o aumento repentino do volume de informações sobre determinado tema – neste caso, a pandemia por COVID 19. E estar exposto a essa quantidade exagerada de informação aumenta a ansiedade, devido aos preocupações do cenário de pandemia.

Por está razão, Luciana aconselha que devemos evitar o excesso e nos atentar ao horário que consumimos informação, principalmente em casos de pessoas com dificuldades para dormir. “A exposição a qualquer recurso tecnológico pela tela, simplesmente pela emissão de luz já é prejudicial ao sono. Agora, imagina se além de estar exposta a uma tela eu também consumo conteúdos ansiogenos, conteúdos que geram mais medo ou preocupação”, exemplifica.

Construa uma nova rotina

Toda essa mudança que passamos virou nossas vidas de cabeça para baixo; nada do que estávamos acostumados voltou a ser como antes. Por isso adaptar a essa nova realidade e criar uma rotina a partir dela é necessário para que possamos nos estabilizar novamente.

Criar horários e definir afazeres para que sejam realizados diariamente é fundamental. “Focar mais nas tarefas imediatas, mais no hoje e num futuro próximo. Não adianta a gente pensava em muito tempo porque a gente ainda não sabe como será esse futuro”, conclui Luciana.

Sendo assim, para que possamos passar por este momento da melhor forma possível é necessário que nos preocupemos também com nós mesmos; com nossa saúde, nossas vontades e tudo aquilo que deixamos entrar na casa que nos faz quem somos: nossa mente.

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