Tatiana Stein, o rosto por trás da Brisa Slowfashion

Escrito por //

Compartilhe //

No Mulheres Que Fazem a Diferença desta edição trazemos a história de Tati Stain, fundadora da Brisa Slowfashion

A partir do momento que tomamos consciência sobre algo é como se nosso cérebro aceitasse essa nova realidade e não conseguisse mais ver as coisas por outra perspectiva. É como se não houvesse outra realidade a não ser essa nova que nos foi apresentada, tudo o que acreditávamos antes passa a desprover-se de sentido e obter outro completamente diferente. É um processo natural e não conseguimos burlar essa mudança de consciência e pensamento.

Tatiana Stein, designer de moda pela FEEVALE, trabalhou por seis anos em grandes empresas de fastfashion e viu de perto como era o desenvolvimento dos produtos e as condições de trabalho das pessoas que produziam as peças. Essa realidade a incomodava e a deixava insatisfeita, “eu já vinha me questionando… me perguntando por que o mercado funcionava daquela forma e se não tinha como fazer nada muito diferente. Eu me sentia muito sozinha naquela fábrica, perguntava para os meus colegas se elas não se sentiam responsáveis pelo lixo que elas geravam no mundo”.

Essas inquietações e a solidão de querer ser mudança em um universo completamente capitalista, onde a margem de lucro era o mais importante e não a qualidade do produto e nem as condições de trabalho, Tatiana decidiu que não gostaria mais de trabalhar para marcas que não compartilhavam dos mesmos princípios que ela. Na época morava em um sítio de permacultura, onde os trabalhos rotineiros incluíam plantar, revirar a composteira e peneirar o composto.

tatiana stein
FOTO: Acervo pessoal / Tatiana Stein

E foi ali, onde lixo ressignifica-se transformando-se em vida, adubo para plantas, que Tatiana teve o primeiro insight para criar a Brisa Slowfashion, sua marcar de moda autoral e consciente. “No peneirar aquele composto tinha um pedaço de lã, então eu percebi que no meio de um monte de matéria orgânica tinha um pedaço tecido sintético que certamente não ia se decompor, principalmente por estar num lugar super propício para virar matéria prima orgânica. Ele não ia fazer isso tão cedo, no mínimo uns 100 anos, então eu me dei conta, conectei todos os meus sentimentos com tudo que eu estava vivendo ali no sítio e resolvi criar a Brisa que é uma empresa que eu tento fazer dela muito limpa e muito justa desde o início do processo até o final”, conta.

Na sua marca Tatiana traz respostas para todas as inquietações que os anos de trabalho para a indústria de moda convencional a trouxe. A Brisa é o reflexo do mundo que ela gostaria de construir, é a utopia do mundo que quero para viver, é realização e luta por uma moda mais justa. “Eu trabalho com matéria prima orgânica, porque eu acredito num solo, num cultivo e pessoas que plantam e trabalham com esse tipo de mão de obra não se contaminem e não sofram, tanto o solo quanto as pessoas. Até o descarte da peça que não fique muitos anos no mundo, que era justamente a questão do sintético e do que eu trabalhava anteriormente”, explica.

Quando perguntada sobre empreendedorismo e os prezares e dores de desempenhar esse papel, Tatiana Stein tem muito a dizer. E muita sinceridade também. Há mais de dois anos no mercado ela tem muitas experiências para compartilhar, “quando a gente empreende a gente espera que tudo dê certo da noite para o dia, a gente tem que ser bem realista e saber que tudo leva tempo. Respeitar o tempo das coisas. Tem dias que a gente se acha a empreendedora mais incrível do mundo, que a gente vai mudar o mundo, e tem dias que a gente só chora e não sabe o que fazer, não sabe por que que está encarando essa jornada”

FOTO: Daniel Borges / Slowfashion Magazine
 

Empreender no ramo da moda não é fácil, principalmente quando se tem que quebrar as barreiras da ignorância e trazer consciência da importância de uma moda mais justa para o consumidor, “eu acho que eu tive muita dificuldade, e eu ainda tenho, em fazer com que as pessoas entendam o porquê de uma roupa orgânica, o porquê que eu utilizo algodão orgânico e o tingimento natural. Não é só por moda ou por estética é uma questão socioambiental também, muito importante para mim. Outra questão muito importante é o preço. Eu já compro tecido com preço bem mais alto que um tecido convencional não orgânico, isso também impacta no preço final e é uma tarefa bem árdua de tentar explicar para o consumidor que na verdade o meu preço ele é muito justo e ele tem margem muito baixa de lucro comparado com uma fastfashion”, compartilha.

Mesmo com todas as barreiras Tatiana Stein acredita que empreender é algo que empodera e tem capacidade de transformar status quo da sociedade em que vivemos, uma vez que nos tira da zona de conforto e nos desafia a alçar novos voos todos os dias. “Eu espero muito que muitas pessoas mais se envolvam com o empreendedorismo, porque ele é muito gostoso e eu acho que a gente descobre forças onde não tem, principalmente as mulheres. A gente sempre foi muito abafada para não empreender e não sair da zona de conforto, mas quando a gente sai é transformador. Então a minha dica é: se tem um sonho e a vontade de empreender vai lá e faz, mas saiba que vai ser difícil, não vai ser fácil”.

Continue explorando